terça-feira, outubro 04, 2005
Veja Dá Show de Mentiras e Manipulações
OPINIÃO
O jornalismo covarde de Veja e o silêncio profissional
Veja e a capa que diz sim à morte
Por: Renato Rovai*
Há algum tempo a revista Veja vem se esmerando em publicar pseudo-reportagens que desancam personalidades públicas, movimentos sociais e partidos políticos que tenham qualquer viés progressista e de esquerda. Para isso, vale tudo. Porque isso é liberdade de imprensa, sustentam seus editores.
Quando Veja invoca Gramsci
Na edição (1.925) desta semana, Veja decidiu fulanizar o debate a respeito do desarmamento fazendo de sua capa um cartaz pelo voto no “Não”.
Entre os “sensacionais” argumentos para defender tal tese, o panfleto semanal dos Civita diz que “Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano, listou o desarmamento da população entre as providências essenciais para garantir o controle totalitário” e que “Hitler desarmou os alemães e os povos dos países ocupados, mas distribuiu armas entre milícias fiéis ao regime”. Ainda: "Nas zonas rurais brasileiras, longe dos postos policiais, [as armas] servem para sitiantes e fazendeiros defenderem suas propriedades de assaltos, invasões do MST e dos ataques de animais predatórios a seus rebanhos e criações. É por isso, com certeza, que os sem-terra apóiam o desarmamento". Evidente que não vale a pena polemizar com argumentos de impressionante nível, mas por outro lado, é preciso começar a fazer algo para combater esse tipo de jornalismo farsante e sangue azul de Veja.
Quem perde credibilidade com isso não é só o veículo. Ao aceitar silenciosamente que o senhorio use a seu bel-prazer um título, desconsiderando os princípios legítimos que permitem recortes de posicionamento à publicação, mas não autorizam a invenção pura e simples de aspas ou teses, quem perde mais é o profissional jornalista.
Cabral, a mãe, o pai e a irmã inventados.
É por isso que me darei ao trabalho de tratar de dois exemplos desta edição, deixando de lado a aberração maior que foi a capa pelo não ao desarmamento.
Quando um Otávio Cabral compara membros do governo à turma do Sítio do Pica Pau Amarelo e escreve assim: “O governo vendeu a mãe, o pai e a mulher no primeiro turno”, descreveu um dos coordenadores da campanha de Rebelo, num surto de franqueza. “No segundo turno, ofereceu a irmã mais nova.” Não só ele se demoraliza. Ridicularizamo-nos todos.
Se esse Otávio Cabral tem coragem de assinar uma matéria cujo enredo é ridicularizar personalidades públicas sem o menor constrangimento e direito à defesa para as partes envolvidas, por que não publicaria o nome de um “dos coordenadores da campanha de Rebelo”. Explico: porque inventou a frase para dar suporte ao texto.
Mainardi e Aldo, o "perfeito idiota"
Da mesma forma como faz Diogo Mainardi, na mesma edição. Ele conta sua viagem a Brasília e narra a cobertura da eleição da presidência da Câmara e, ao fim, registra: “Aldo Rebelo acaba de ser eleito. Os mensalistas atiram-no para o alto. Todos os deputados com quem falei hoje – foram mais de trinta – o consideram um perfeito idiota. Por isso estão tão felizes. Por isso não o deixam se espatifar no chão”.
Por que a covardia de Mainardi não lhe permite dar nome àqueles que consideram Aldo um perfeito idiota? Porque mente. Ele não só não ouviu isso de trinta deputados, vou além, nem falou com quinze enquanto por lá esteve.
Por motivos óbvios, eu e tantos outros colegas jornalistas, também estávamos em Brasília no dia das eleições da Câmara. Espero que outros também o digam. Vi esse Mainardi como um ratinho, encostado no fundo do plenário, por horas, falando baixinho e olhando pro chão. Parecia ter medo que alguém lhe fosse cobrar honestidade ou coisa do gênero. Algo ridículo. Deu umas zanzadas pelo salão verde e voltou para o seu esconderijo. Depois dessa sensacional “missão jornalística”, foi para o seu laptop e “corajosamente” escreveu aquilo que o chefe adoraria ler. E ofendeu a quem o chefe gostaria de ofender. Sem ter compromisso com o real, só com sua corajosa missão de agradar a quem lhe garante a coluna.
Veja expõe ao ridículo a imprensa
Esse jornalismo farsante e sangue-azul de Veja não atenta apenas contra os valores da democracia e da ética profissional. Ele ainda abre o caminho para que outros veículos passem a fazer o mesmo e expõe ao ridículo a imprensa enquanto instituição e o jornalismo como profissão.
Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso.
* Jornalista, editor da revista Fórum;fonte: http://www.revistaforum.com.br/;
O jornalismo covarde de Veja e o silêncio profissional
Veja e a capa que diz sim à morte
Por: Renato Rovai*
Há algum tempo a revista Veja vem se esmerando em publicar pseudo-reportagens que desancam personalidades públicas, movimentos sociais e partidos políticos que tenham qualquer viés progressista e de esquerda. Para isso, vale tudo. Porque isso é liberdade de imprensa, sustentam seus editores.
Quando Veja invoca Gramsci
Na edição (1.925) desta semana, Veja decidiu fulanizar o debate a respeito do desarmamento fazendo de sua capa um cartaz pelo voto no “Não”.
Entre os “sensacionais” argumentos para defender tal tese, o panfleto semanal dos Civita diz que “Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano, listou o desarmamento da população entre as providências essenciais para garantir o controle totalitário” e que “Hitler desarmou os alemães e os povos dos países ocupados, mas distribuiu armas entre milícias fiéis ao regime”. Ainda: "Nas zonas rurais brasileiras, longe dos postos policiais, [as armas] servem para sitiantes e fazendeiros defenderem suas propriedades de assaltos, invasões do MST e dos ataques de animais predatórios a seus rebanhos e criações. É por isso, com certeza, que os sem-terra apóiam o desarmamento". Evidente que não vale a pena polemizar com argumentos de impressionante nível, mas por outro lado, é preciso começar a fazer algo para combater esse tipo de jornalismo farsante e sangue azul de Veja.
Quem perde credibilidade com isso não é só o veículo. Ao aceitar silenciosamente que o senhorio use a seu bel-prazer um título, desconsiderando os princípios legítimos que permitem recortes de posicionamento à publicação, mas não autorizam a invenção pura e simples de aspas ou teses, quem perde mais é o profissional jornalista.
Cabral, a mãe, o pai e a irmã inventados.
É por isso que me darei ao trabalho de tratar de dois exemplos desta edição, deixando de lado a aberração maior que foi a capa pelo não ao desarmamento.
Quando um Otávio Cabral compara membros do governo à turma do Sítio do Pica Pau Amarelo e escreve assim: “O governo vendeu a mãe, o pai e a mulher no primeiro turno”, descreveu um dos coordenadores da campanha de Rebelo, num surto de franqueza. “No segundo turno, ofereceu a irmã mais nova.” Não só ele se demoraliza. Ridicularizamo-nos todos.
Se esse Otávio Cabral tem coragem de assinar uma matéria cujo enredo é ridicularizar personalidades públicas sem o menor constrangimento e direito à defesa para as partes envolvidas, por que não publicaria o nome de um “dos coordenadores da campanha de Rebelo”. Explico: porque inventou a frase para dar suporte ao texto.
Mainardi e Aldo, o "perfeito idiota"
Da mesma forma como faz Diogo Mainardi, na mesma edição. Ele conta sua viagem a Brasília e narra a cobertura da eleição da presidência da Câmara e, ao fim, registra: “Aldo Rebelo acaba de ser eleito. Os mensalistas atiram-no para o alto. Todos os deputados com quem falei hoje – foram mais de trinta – o consideram um perfeito idiota. Por isso estão tão felizes. Por isso não o deixam se espatifar no chão”.
Por que a covardia de Mainardi não lhe permite dar nome àqueles que consideram Aldo um perfeito idiota? Porque mente. Ele não só não ouviu isso de trinta deputados, vou além, nem falou com quinze enquanto por lá esteve.
Por motivos óbvios, eu e tantos outros colegas jornalistas, também estávamos em Brasília no dia das eleições da Câmara. Espero que outros também o digam. Vi esse Mainardi como um ratinho, encostado no fundo do plenário, por horas, falando baixinho e olhando pro chão. Parecia ter medo que alguém lhe fosse cobrar honestidade ou coisa do gênero. Algo ridículo. Deu umas zanzadas pelo salão verde e voltou para o seu esconderijo. Depois dessa sensacional “missão jornalística”, foi para o seu laptop e “corajosamente” escreveu aquilo que o chefe adoraria ler. E ofendeu a quem o chefe gostaria de ofender. Sem ter compromisso com o real, só com sua corajosa missão de agradar a quem lhe garante a coluna.
Veja expõe ao ridículo a imprensa
Esse jornalismo farsante e sangue-azul de Veja não atenta apenas contra os valores da democracia e da ética profissional. Ele ainda abre o caminho para que outros veículos passem a fazer o mesmo e expõe ao ridículo a imprensa enquanto instituição e o jornalismo como profissão.
Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso.
* Jornalista, editor da revista Fórum;fonte: http://www.revistaforum.com.br/;
terça-feira, setembro 06, 2005
Lacerda Revive com Veja - Quem Morre dessa Vez?
LACERDISMO MAL DIGERIDO
Veja escorregou de novo. Agora com Severino
Alberto Dines
Veja está revelando a inspiração lacerdista de suas ações e reações. Carlos Lacerda foi um brilhante jornalista, mas como tribuno e político foi o nosso protocarbonário – extremado, radical, ensandecido. Por isso intolerante, injusto, perverso. Foi nosso primeiro xiita em matéria política. Em troca, ganhou a solidão.
A equipe que dirige Veja tem o direito de pretender reeditar este paroxismo jornalístico. Mas falta-lhe o talento. A maneira tosca que escolheu para responder às ponderações de Luiz Weis [remissão abaixo] revela que, embora mirando em Carlos Lacerda, está, na realidade, imitando seu escudeiro Amaral Neto (que alguns chamavam de Amoral Nato).
Na vã tentativa de responder aos reparos deste Observador sobre a histeria com que apresentam as suas "denúncias" (principalmente na matéria de capa que provocou a coletiva do ministro Palocci), os anônimos escribas de Veja disseram o seguinte:
"A revelação de Veja provocou a ira dos provectos observadores da imprensa que entoaram seu lamento de analistas oficiais do regime." (edição 1921, de 7/9/2005, pág. 68).
Atrapalharam-se no vernáculo, coisa inimaginável num texto de Carlos Lacerda. Como mostrou Mauro Malin, neste Observatório, "provecto" é elogio [ver abaixo link para "Contorcionismos de Veja"].
O efeito Severino
Por mais que se abomine a figura de Severino Cavalcanti (PP-PE), está claro que a matéria de capa da edição 1921 da Veja – "O mensalinho de Severino" – segue o mesmo padrão de ligeireza investigativa das edições anteriores. Não adianta detestar ou indignar-se, é preciso investigar com competência. Sem afobação. Com mais uma semana de trabalho, hoje Severino poderia estar nocauteado e derrubado. Não está.
Severino fortalece-se com acusações mal apuradas e apressadas. Sua origem política e moral é a mesma de Paulo Maluf, oriundos do território dos Cara-de-Pau. As denúncias precipitadas só servem para enrijecer a sua crosta de arrogância.
Por enquanto, Severino está fortalecido. O escândalo não foi comprovado. Havia cancelado a viagem a Nova York na sexta-feira (2/9), antes de publicação de Veja; agora, desafiador e petulante, voltou atrás e confirmou o embarque. Este é o serviço que Veja está prestando à causa da decência.
texto extraido do site http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=345IMQ001
domingo, setembro 04, 2005
O Fim da Globo é o Começo da Democracia no Brasil
Livro-reportagem reconstitui fraude da Globo contra Brizola
O livro-reportagem Plim-Plim: a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral, dos jornalistas Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passos, com orelha de Mino Carta, lançado ontem (3), reconstitui com riqueza de detalhes a frustrada tentativa do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) de impedir a vitória de Brizola nas eleições para governador de 1982 fraudando a totalização de votos com a ajuda da Proconsult, empresa de informática contratada pelo TRE do Rio, e da Rede Globo de Televisão.
O livro, da Conrad Editora do Brasil, de São Paulo, reúne relatos e depoimentos de personalidades como Leonel Brizola, Roberto Marinho, Cezar Maia, Saturnino Braga; mais os jornalistas Luis Carlos Cabral, Procópio Mineiro, Pery Cotta e Pedro do Coutto; além do especialista em pesquisas Homero Icaza Sánchez e do então promotor Celso Fernando de Barros, que tentou — sem sucesso — apurar responsabilidades.
Fidelidade canina
Na época, a fraude na contagem dos votos ficou conhecida como "escândalo da Proconsult". No livro, os jornalistas defendem que está mal contada a explicação da Globo nas investigações da fraude e argumentam que a emissora tentou manipular os resultados da eleição. "Ainda naquela madrugada de domingo, véspera de eleição, o jornal O Globo chegava às bancas com um editorial de capa que recomendava voto em Moreira Franco", diz Paulo Henrique Amorim.
Paulo Henrique Amorim, que é descrito por Mino Carta como um jornalista com "fidelidade canina à verdade factual que exerce a profissão com desabrido espírito crítico, sendo infatigável na fiscalização do poder", explica que Brizola ganhou as eleições de 1982 duas vezes, "na lei e na marra". Porque os militares, o SNI e a Polícia Federal escolheram a empresa Proconsult para dar a vitória a Moreira Franco; ao mesmo tempo em que as Organizações Globo — jornal e TV — preparavam a opinião pública para a fraude, que se concretizaria com a ajuda da justiça eleitoral.
A informação é daagência JB Online
O livro-reportagem Plim-Plim: a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral, dos jornalistas Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passos, com orelha de Mino Carta, lançado ontem (3), reconstitui com riqueza de detalhes a frustrada tentativa do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) de impedir a vitória de Brizola nas eleições para governador de 1982 fraudando a totalização de votos com a ajuda da Proconsult, empresa de informática contratada pelo TRE do Rio, e da Rede Globo de Televisão.
O livro, da Conrad Editora do Brasil, de São Paulo, reúne relatos e depoimentos de personalidades como Leonel Brizola, Roberto Marinho, Cezar Maia, Saturnino Braga; mais os jornalistas Luis Carlos Cabral, Procópio Mineiro, Pery Cotta e Pedro do Coutto; além do especialista em pesquisas Homero Icaza Sánchez e do então promotor Celso Fernando de Barros, que tentou — sem sucesso — apurar responsabilidades.
Fidelidade canina
Na época, a fraude na contagem dos votos ficou conhecida como "escândalo da Proconsult". No livro, os jornalistas defendem que está mal contada a explicação da Globo nas investigações da fraude e argumentam que a emissora tentou manipular os resultados da eleição. "Ainda naquela madrugada de domingo, véspera de eleição, o jornal O Globo chegava às bancas com um editorial de capa que recomendava voto em Moreira Franco", diz Paulo Henrique Amorim.
Paulo Henrique Amorim, que é descrito por Mino Carta como um jornalista com "fidelidade canina à verdade factual que exerce a profissão com desabrido espírito crítico, sendo infatigável na fiscalização do poder", explica que Brizola ganhou as eleições de 1982 duas vezes, "na lei e na marra". Porque os militares, o SNI e a Polícia Federal escolheram a empresa Proconsult para dar a vitória a Moreira Franco; ao mesmo tempo em que as Organizações Globo — jornal e TV — preparavam a opinião pública para a fraude, que se concretizaria com a ajuda da justiça eleitoral.
A informação é daagência JB Online
quinta-feira, setembro 01, 2005
Tanto Alarde e Muito pouca Prova!
19 Deputados serão os possíveis cassados. O interessante é que a acusação contra José Dirceu é que o Roberto Jeferson acusa ele de ser o chefe do mensalão. É isso mesmo, a acusação é uma outra acusação, que já foi confessada não ter prova. É como dar um cheque sem fundos e esse cheque servir como fiança para uma compra.
7 Deputados são do PT, apesar de tanto alarde da Imprensa. Acusando todo o PT e toda a esquerda.
José Dirceu (PT-SP)
João Magno (PT-MG)João Paulo Cunha (PT-SP)
José Mentor (PT-SP)
Josias Gomes da Silva (PT-BA)
Paulo Rocha (PT-PA)
Professor Luizinho (PT-SP)
Roberto Jefferson (PTB-RJ)
Romeu Queiroz (PTB-MG)
Walderval Santos (PL-SP)
Valdemar Costa Neto (PL-SP)
Bispo Rodrigues (PL-RJ)
Sandro Mabel (PL-GO)
José Borba (PMDB-PR)
José Janene (PP-PR)
Pedro Corrêa (PP-PE)
Pedro Henry (PP-MT)
Vadão Gomes (PP-SP)
Roberto Brant (PFL-MG)
quarta-feira, agosto 31, 2005
POLÍTICA NA WEB
Revolução conservadora na blogosfera
Carlos Castilho (*)
Quem se aventurar numa incursão na blogosfera política tupiniquim vai ter uma surpresa. O número de blogs confessadamente conservadores ou de direita aparentemente é maior do que os de se dizem de esquerda ou professam teses consideradas socialistas.
Desde o inicio do escândalo mensalão vem aumentando o número de blogs cujo prato forte são as críticas ao governo petista a partir de uma perspectiva ideológica conservadora e antimarxista.
No Brasil, tanto quanto nos Estados Unidos, um dos alvos preferidos dos blogs conservadores é a pressão sobre a imprensa, acusada de publicar notícias tendenciosas. O blog Mídia Sem Máscara é uma espécie de portal de 47 articulistas conservadores, onde as principais estrelas são o filósofo paulista Olavo de Carvalho e o ex-diplomata e ex-editorialista do Jornal do Brasil, José de Meira Penna.
O escândalo do mensalão e a desilusão das esquerdas com o governo Lula são um prato cheio para blogs como o Nariz Gelado, cujo autor não se identifica e que publica a mais completa lista de links para blogs politicamente conservadores. [Atenção, há exceções, como o blog de Ricardo Noblat, que é jornalístico.]
Na mesma linha correm o Não Suporto o PT produzido por Bobby Groover, e o Resistência do carioca Niemerson Lavoura, que também edita o República dos Marajás Petistas.
O blog do matemático chileno Claudio Tellez e do filósofo Olavo de Carvalho podem ser considerados modelos da ala intelectual da direita cibernética no Brasil.
A comparação do comportamento dos blogueiros nos Estados Unidos e no Brasil mostra que a preferência dos internautas está muito vinculada à conjuntura política do país. Mas, apesar da diferença de opções, tanto aqui como lá a politização dos blogueiros é um fenômeno em ascensão vertiginosa. Segundo a pesquisa do NPI, desde o final de 2002 o tráfego de visitantes nos mil blogs políticos mais populares dos Estados Unidos passou de 500 mil para três milhões de visitas diárias. Não temos aqui uma medição parecida, mas o blog do jornalista Ricardo Noblat não pára de bater recordes de audiência desde o início do mensalão, segundo o seu editor.
(*) Jornalista e editor do blog Código Aberto
retirado do site http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=344ENO001
Carlos Castilho (*)
Quem se aventurar numa incursão na blogosfera política tupiniquim vai ter uma surpresa. O número de blogs confessadamente conservadores ou de direita aparentemente é maior do que os de se dizem de esquerda ou professam teses consideradas socialistas.
Desde o inicio do escândalo mensalão vem aumentando o número de blogs cujo prato forte são as críticas ao governo petista a partir de uma perspectiva ideológica conservadora e antimarxista.
No Brasil, tanto quanto nos Estados Unidos, um dos alvos preferidos dos blogs conservadores é a pressão sobre a imprensa, acusada de publicar notícias tendenciosas. O blog Mídia Sem Máscara é uma espécie de portal de 47 articulistas conservadores, onde as principais estrelas são o filósofo paulista Olavo de Carvalho e o ex-diplomata e ex-editorialista do Jornal do Brasil, José de Meira Penna.
O escândalo do mensalão e a desilusão das esquerdas com o governo Lula são um prato cheio para blogs como o Nariz Gelado, cujo autor não se identifica e que publica a mais completa lista de links para blogs politicamente conservadores. [Atenção, há exceções, como o blog de Ricardo Noblat, que é jornalístico.]
Na mesma linha correm o Não Suporto o PT produzido por Bobby Groover, e o Resistência do carioca Niemerson Lavoura, que também edita o República dos Marajás Petistas.
O blog do matemático chileno Claudio Tellez e do filósofo Olavo de Carvalho podem ser considerados modelos da ala intelectual da direita cibernética no Brasil.
A comparação do comportamento dos blogueiros nos Estados Unidos e no Brasil mostra que a preferência dos internautas está muito vinculada à conjuntura política do país. Mas, apesar da diferença de opções, tanto aqui como lá a politização dos blogueiros é um fenômeno em ascensão vertiginosa. Segundo a pesquisa do NPI, desde o final de 2002 o tráfego de visitantes nos mil blogs políticos mais populares dos Estados Unidos passou de 500 mil para três milhões de visitas diárias. Não temos aqui uma medição parecida, mas o blog do jornalista Ricardo Noblat não pára de bater recordes de audiência desde o início do mensalão, segundo o seu editor.
(*) Jornalista e editor do blog Código Aberto
retirado do site http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=344ENO001
quinta-feira, agosto 25, 2005
Tudo sobre a revista veja
Entre no endereço: www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm
e leia tudo sobre a Veja. Porém, há que se fazer justiça. Ela não é pior que a Isto é, Época e Folha de São Paulo.
e leia tudo sobre a Veja. Porém, há que se fazer justiça. Ela não é pior que a Isto é, Época e Folha de São Paulo.
domingo, agosto 21, 2005
Comentário
"O que me deixa mais enojado nessa palhaçada toda do mensalão é ver safados corruptos do naipe do Sarney, Antonio Carlos Magalhães, FHC e Cia Ltda. querendo dar uma de moralistas, qual moral tem esses cretinos do PFL, PSDB, PMDB etc... para falar algo sobre corrupção se justo nos partidos deles é que surgem sempre a maioria das sujeiras deste país, é triste que um país tão promissor como o Brasil tenha essa gentalha guiando nosso destino, triste sina essa nossa. "
O Golpe Já Era, agora é Sacanear o Governo Para a Direita Voltar ao Poder!
ENTREVISTA
Wanderley Guilherme: "Oposição perdeu a hora do golpe branco"
Para o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, oposição agora quer "sangrar" presidente; ele prevê um "racha" no PT
oposição deixou passar "a hora do golpe branco". PSDB e PFL refizeram os cálculos e avaliam, agora, que é melhor "sangrar o governo, sangrar o presidente da República" do que partir para uma tentativa de impedimento de Luiz Inácio Lula da Silva.
A opinião é do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, professor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro). Em meados de junho, ainda no começo da crise, Santos provocou polêmica ao afirmar, em sua coluna no jornal "Valor Econômico", que, a julgar pelo comportamento de tucanos e pefelistas, o "novo lacerdismo" havia "se mudado para São Paulo": a oposição preparava um "golpe branco" contra o governo.
Agora, diz o professor, a situação mudou. "Já passou a hora do golpe branco, sim. E isso cria um problema complicado, porque, agora, se houver motivos jurídicos e políticos razoáveis que comprovem a participação ou conivência do presidente nesses episódios, ele tem de sair. E aí, quem não quer mais isso é a oposição." Para ele, na arena nacional, o PFL não passa de um "partido laranja" do PSDB.
Quanto ao PT, Santos vê o partido caminhar para um racha. O professor não enxerga possibilidade de um "denominador comum" no confronto entre a ala esquerda, crítica do governo, e a ala que apóia o governo, mas que tem integrantes no centro do escândalo do "mensalão".
O autor de "A Democracia e seu Futuro no Brasil" (2001) avalia essa desmontagem do PT como um retrocesso político brasileiro, que pode dar mais espaço a discursos "populistas demagógicos": "Se isso vier a acontecer, será o grande ilícito que a antiga cúpula dirigente do PT terá praticado".
Santos ainda criticou o oportunismo de uma reforma política neste momento, atacou o que classificou de "omissão" de intelectuais e questionou o papel da imprensa.
A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha, por telefone, na última quinta-feira.
O sr. disse enxergar movimentação para um "golpe branco" da oposição. A estratégia ainda está em curso?
Wanderley Guilherme dos Santos - Fico espantado com a dúvida das pessoas sobre esse assunto, quando ele passou a ser um tópico banal. Basta ver que o que passou a ser discutido todos os dias no começo da crise eram os cálculos da oposição para saber se, quando e como promoveriam o impedimento do presidente.
Quem falou em impedimento foi o ex-presidente Fernando Henrique. Ora, um pedido de impedimento com base no que havia... O que havia era a descoberta de uma transação corrupta dentro dos Correios, mais nada.
A representação tendo em vista o impedimento aparece inteiramente descolada de qualquer argumento em relação aos motivos comprovados que justifiquem o pedido de impedimento. Aparece, isto sim, como discussão em torno da oportunidade.
Ou seja, a discussão não é se há motivos para o impedimento, mas se, considerando o sucessor, o impedimento deve ser promovido. O que é isso? Estão discutindo de forma precipitada o afastamento do presidente. Se é precipitado, significa que não tem base. E isso se chama golpe.
O sr. vê uma "conspiração das elites" contra Lula?
Santos - No século 20, a linguagem educada esteve e está até hoje muito influenciada pelo marxismo e pela psicanálise. Assim, quando se fala em elite, imediatamente, as pessoas educadas pensam em elite econômica, que é a forma primária ou o marxismo primário ou vulgar. Pensam em elite econômica e ficam sem saber como explicar se, afinal de contas, as elites econômicas estão favoráveis ao governo. E não sabem sair desse círculo de giz.
Esses comentaristas, por causa disso, ficam extremamente incapacitados de perceber algo que está acontecendo e que é raro ver dessa maneira, que é a luta pelo poder nua e crua. Trata-se de disputa por poder. Quem não enxerga isso perde a oportunidade de ver essa disputa, as estratégias que são utilizadas, as manobras.
Como o sr. avalia o comportamento da imprensa na crise?
Santos - O que está em jogo é o seguinte: como é que o sr. Roberto Jefferson conseguiu obter a projeção que obteve e levar durante muito tempo a CPI dos Correios pelo "narizinho"? Por que ele conseguiu isso? Porque ele estava falando a verdade? Não. Porque interessava ao PSDB e ao PFL.
Só por isso. Achar que é porque ele estava falando uma coisa que chocava... Se fosse só isso, não dava. Se não desse no "Jornal Nacional", não acontecia tudo isso. E, para dar no "Jornal Nacional", tem que interessar ao PSDB e ao PFL.
Por exemplo, não foi suficiente o editorial da Folha [no episódio da compra de votos para a provação da emenda da reeleição de FHC, em 1997] para criar um escândalo.
E por que foi diferente no caso de Jefferson?
Santos - Porque é do interesse das Organizações Globo. Isso é um outro tema. Quando digo imprensa, eu quero me referir implicitamente às Organizações Globo, que são um problema dentro do processo político brasileiro.
O "Jornal Nacional" tem a emoção da opinião pública brasileira sob controle. Durante o mês passado, as ansiedades, expectativas e angústias eram geradas pela dramaturgia do "Jornal Nacional". Ele tem controle sobre a temperatura da emoção. Isso não é algo que deva ser considerado normal em uma democracia.
O que acontece é que, em países como o Brasil, a imprensa é um ator político relevantíssimo. Sua moeda é justamente ter poder sobre a emoção da opinião pública. Para que serve esse poder? Para obter conformidade de governo.
Fonte: Folha de S. Paulo
Wanderley Guilherme: "Oposição perdeu a hora do golpe branco"
Para o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, oposição agora quer "sangrar" presidente; ele prevê um "racha" no PT
oposição deixou passar "a hora do golpe branco". PSDB e PFL refizeram os cálculos e avaliam, agora, que é melhor "sangrar o governo, sangrar o presidente da República" do que partir para uma tentativa de impedimento de Luiz Inácio Lula da Silva.
A opinião é do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, professor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro). Em meados de junho, ainda no começo da crise, Santos provocou polêmica ao afirmar, em sua coluna no jornal "Valor Econômico", que, a julgar pelo comportamento de tucanos e pefelistas, o "novo lacerdismo" havia "se mudado para São Paulo": a oposição preparava um "golpe branco" contra o governo.
Agora, diz o professor, a situação mudou. "Já passou a hora do golpe branco, sim. E isso cria um problema complicado, porque, agora, se houver motivos jurídicos e políticos razoáveis que comprovem a participação ou conivência do presidente nesses episódios, ele tem de sair. E aí, quem não quer mais isso é a oposição." Para ele, na arena nacional, o PFL não passa de um "partido laranja" do PSDB.
Quanto ao PT, Santos vê o partido caminhar para um racha. O professor não enxerga possibilidade de um "denominador comum" no confronto entre a ala esquerda, crítica do governo, e a ala que apóia o governo, mas que tem integrantes no centro do escândalo do "mensalão".
O autor de "A Democracia e seu Futuro no Brasil" (2001) avalia essa desmontagem do PT como um retrocesso político brasileiro, que pode dar mais espaço a discursos "populistas demagógicos": "Se isso vier a acontecer, será o grande ilícito que a antiga cúpula dirigente do PT terá praticado".
Santos ainda criticou o oportunismo de uma reforma política neste momento, atacou o que classificou de "omissão" de intelectuais e questionou o papel da imprensa.
A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha, por telefone, na última quinta-feira.
O sr. disse enxergar movimentação para um "golpe branco" da oposição. A estratégia ainda está em curso?
Wanderley Guilherme dos Santos - Fico espantado com a dúvida das pessoas sobre esse assunto, quando ele passou a ser um tópico banal. Basta ver que o que passou a ser discutido todos os dias no começo da crise eram os cálculos da oposição para saber se, quando e como promoveriam o impedimento do presidente.
Quem falou em impedimento foi o ex-presidente Fernando Henrique. Ora, um pedido de impedimento com base no que havia... O que havia era a descoberta de uma transação corrupta dentro dos Correios, mais nada.
A representação tendo em vista o impedimento aparece inteiramente descolada de qualquer argumento em relação aos motivos comprovados que justifiquem o pedido de impedimento. Aparece, isto sim, como discussão em torno da oportunidade.
Ou seja, a discussão não é se há motivos para o impedimento, mas se, considerando o sucessor, o impedimento deve ser promovido. O que é isso? Estão discutindo de forma precipitada o afastamento do presidente. Se é precipitado, significa que não tem base. E isso se chama golpe.
O sr. vê uma "conspiração das elites" contra Lula?
Santos - No século 20, a linguagem educada esteve e está até hoje muito influenciada pelo marxismo e pela psicanálise. Assim, quando se fala em elite, imediatamente, as pessoas educadas pensam em elite econômica, que é a forma primária ou o marxismo primário ou vulgar. Pensam em elite econômica e ficam sem saber como explicar se, afinal de contas, as elites econômicas estão favoráveis ao governo. E não sabem sair desse círculo de giz.
Esses comentaristas, por causa disso, ficam extremamente incapacitados de perceber algo que está acontecendo e que é raro ver dessa maneira, que é a luta pelo poder nua e crua. Trata-se de disputa por poder. Quem não enxerga isso perde a oportunidade de ver essa disputa, as estratégias que são utilizadas, as manobras.
Como o sr. avalia o comportamento da imprensa na crise?
Santos - O que está em jogo é o seguinte: como é que o sr. Roberto Jefferson conseguiu obter a projeção que obteve e levar durante muito tempo a CPI dos Correios pelo "narizinho"? Por que ele conseguiu isso? Porque ele estava falando a verdade? Não. Porque interessava ao PSDB e ao PFL.
Só por isso. Achar que é porque ele estava falando uma coisa que chocava... Se fosse só isso, não dava. Se não desse no "Jornal Nacional", não acontecia tudo isso. E, para dar no "Jornal Nacional", tem que interessar ao PSDB e ao PFL.
Por exemplo, não foi suficiente o editorial da Folha [no episódio da compra de votos para a provação da emenda da reeleição de FHC, em 1997] para criar um escândalo.
E por que foi diferente no caso de Jefferson?
Santos - Porque é do interesse das Organizações Globo. Isso é um outro tema. Quando digo imprensa, eu quero me referir implicitamente às Organizações Globo, que são um problema dentro do processo político brasileiro.
O "Jornal Nacional" tem a emoção da opinião pública brasileira sob controle. Durante o mês passado, as ansiedades, expectativas e angústias eram geradas pela dramaturgia do "Jornal Nacional". Ele tem controle sobre a temperatura da emoção. Isso não é algo que deva ser considerado normal em uma democracia.
O que acontece é que, em países como o Brasil, a imprensa é um ator político relevantíssimo. Sua moeda é justamente ter poder sobre a emoção da opinião pública. Para que serve esse poder? Para obter conformidade de governo.
Fonte: Folha de S. Paulo




