domingo, julho 03, 2005

Congresso dos Estudantes do Brasil

Na plenária final do 49º Congresso da UNE, que termina hoje em Goiânia (GO), os estudantes aprovaram que a entidade intensifique a pressão política para que o governo Lula mude sua política econômica, aumente o combate à corrupção, e a construção de uma nova e sólida maioria política e social. A proposta foi apresentada pelo movimento Na pressão pelas mudanças e recebeu o apoio da ampla maioria dos estudantes.
Sobre o posicionamento quanto à conjuntura internacional, os estudantes aprovaram que a UNE deve dar continuidade aos protestos iniciados com as mobilizações mundiais, denunciando a ocupação do Iraque e a tentativa do presidente norte-americano George W. Bush de estender sua “guerra infinita”. A plenária começou no meio do dia e terminou às 21h. Hoje ocorrerá a eleição da nova diretoria da entidade.

Governo Lula
O debate sobre o governo Lula foi polêmico durante todo o congresso. Enquanto alguns partidos e setores da esquerda, entre eles o PSOL, a tendência do PT Ação Popular Socialista (APS, antiga Força Socialista) e o Partido Comunista Revolucionário (PCR) defendiam a retirada do apoio ao governo, a grande maioria das forças políticas avaliou que é preciso manter o apoio ao governo Lula neste momento em que ele está sofrendo o ataque da elite conservadora do país.
Em um dos momentos tensos do congresso, um grupelho de militantes do PFL e do PSDB realizou uma plenária depois do horário de almoço e decidiram entrar no plenário do Ginásio Goiânia com bandeiras e faixas dizendo “Fernando Henrique presidente 2006”, num claro gesto de provocação. Vaiados por todo o plenário – lotado por aproximadamente sete mil estudantes -, eles se retiraram da arquibancada.
O movimento Na pressão pelas mudanças, liderado pela União da Juventude Socialista (UJS), teve o apoio das teses Kizomba (Democracia Socialista, tendência do PT), Mudança (Articulação, tendência do PT), o Movimento PT, e Mutirão (MR8, grupo do PMDB).

Universidade
Outro ponto polêmico do Conune foi o debate sobre a reforma universitária. Algumas forças consideram que a reforma é um “ataque contra o ensino público” e que representa os setores “capitalistas” do ensino superior. Mas a maioria dos estudantes acredita que a reforma está em disputa e para alcançar a dita nova universidade – considerada peça fundamental para a construção de uma nação democrática, soberana e socialmente justa – os estudantes terão que fazer grande mobilização tendo como ponto de partida a construção da Conferência Nacional de Educação Superior pela UNE em conjunto com a Fasubra, CNTE, Contee, CUT, MST MMM, entre outros setores do movimento social. A idéia é realizar uma grande marcha a Brasília no dia 11 de agosto, dia do estudante.

Movimento estudantil
Os estudantes avaliam que o momento de turbulência política pelo qual passa o país faz crescer ainda mais a responsabilidade do movimento estudantil, que deve combinar a luta contra as elites conservadoras com as mobilizações por mudanças, especialmente na política econômica. Esse contexto exige um momento ainda mais combativo, unido e unitário, independente e organizado, em aliança com os demais movimentos sociais. Tendo isso em vista, os estudantes devem construir um amplo movimento popular que sustente nas ruas as mudanças. Também houve concordância em que há necessidade de se repensar os fóruns do movimento estudantil, a começar pelo próprio Congresso da UNE. As mudanças devem ser debatidas em um processo estatuinte que debata novos critérios para a participação no Congresso.
Os estudantes aprovaram ainda: a realização da 6ª Bienal da UNE, a ampliação dos Cucas, derrubada imediata da MP 2208/01, que desvincula o direito à meia-entrada da carteirinha da UNE, realização dos Jogos Universitários Brasileiros (JUB’s) em parceria com a CBDU e o Ministério do Esporte, e envolvendo Atléticas, Federações, Executiva Nacional e CA’s de Educação Física. Continuidade do Projeto Memória do Movimento Estudantil (MME), ampliação do projeto Rondon como parte de uma política nacional de extensão universitária, e a criação de núcleos de extensão nas públicas e nas particulares com concessão de bolsas.
De Goiânia, Mônica Simioni