FHC mostra qual é a intenção da Direita!
FHC deu uma entrevista à Revista Exame e todo o discurso aponta claramente qual era a intenção da Direita nesses últimos episódios da política brasileira. Querem descaradamente amarrar o governo para que o governo mantenha a política neoliberal imposta por FHC. E ainda abrir espaço para que a reeleição da direita seja facilitada com a desmoralização do governo.
Por que Lula não cabe no mundo de FHC
Por Osvaldo Bertolino
Os desafetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o chamam de várias coisas: inculto (claro preconceito social), indeciso (pode ser), corinthiano (é). Mas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi além, ao dizer, à revista Exame, que ele é um símbolo do Brasil que corre o risco de se autodestruir. Por isso, recomenda FHC, Lula deveria desistir da reeleição para se revestir de superpoderes e assim "levar bem o Brasil". Nem Schoppenhauer, o pessimista mais brilhante e influente que a humanidade já produziu (era melhor nem ter nascido, filosofava ele), se igualaria à cantilena vazia do ex-presidente neoliberal.
Os desafetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o chamam de várias coisas: inculto (claro preconceito social), indeciso (pode ser), corinthiano (é). Mas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi além, ao dizer, à revista Exame, que ele é um símbolo do Brasil que corre o risco de se autodestruir. Por isso, recomenda FHC, Lula deveria desistir da reeleição para se revestir de superpoderes e assim "levar bem o Brasil". Nem Schoppenhauer, o pessimista mais brilhante e influente que a humanidade já produziu (era melhor nem ter nascido, filosofava ele), se igualaria à cantilena vazia do ex-presidente neoliberal.
Segundo ele, esta seria a única condição para Lula sair da crise e "superar a si mesmo". "Nessa hora era preciso ser estadista para eventualmente tornar-se candidato", disse FHC. Ser "estadista", no sentido defendido pelo ex-presidente, quer dizer que Lula deveria concentrar-se na administração conservadora da macroeconomia para evitar risco de "populismo", como o de Chávez, na Venezuela (segundo o entrevistador, André Lahóz, "uma espécie de fantasma para a América Latina"). O recado é claro: o governo não deve se aproximar ainda mais dos movimentos sociais, liberando recursos para programas populares — o que seria "populismo".
O sentido do termo golpismo
Esse é o ponto para se entender o sentido do termo golpismo, que as lideranças conservadoras tentam desqualificar. FHC advoga, sem meias palavras, a linha política segundo a qual a alternância no poder não implicaria em maiores conseqüências no campo econômico. Ele é um legítimo representante da manipulação ideológica que intenta manter a administração macroeconômica imune à manifestação da vontade popular. É o sonho dos liberais de fazer das eleições brasileiras algo sem poder de interferência na economia. Esse é o sentido do axioma, repetido à exaustão, de que a economia brasileira precisa estar assentada em "instituições sólidas".
FHC e suas circunstâncias
A repercussão da entrevista é mais um exemplo tragicômico do panorama político brasileiro. Possivelmente porque ela conseguiu sintetizar o pensamento daquilo que o jornalista Sebastião Nery chama de UDNs civil, militar e gráfica. FHC, com seu tradicional nhen-nhen-nhen, falou sobre reforma política — criticou, evidentemente, a que está em andamento —, sobre a "imaturidade da sociedade brasileira", sobre partidos e larari, larará... Só faltou — por modéstia, talvez — repetir Ruy Barbosa: "Eu não sou uma pessoa, mas um programa". Um programa que, resumidamente, associa o enfraquecimento do Estado ao fortalecimento da democracia.
É a velha cantilena dos partidos conservadores, que surgiram no Império, mandaram na República Velha, atentaram contra os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck e João Goulart, e, mais recentemente, sustentaram a "era" neoliberal. Em 1989, Lula não desceu aos subníveis do discurso político de Collor. Collor recusou-se a debater com os adversários, pautou suas intervenções pela frase de efeito e pelo que seu público-alvo queria ouvir, não por seu projeto para o país, e lançou mão de expedientes sórdidos de campanha sempre que os julgou necessários. Ganhou. Lula norteou sua campanha, de modo geral, pela ética de não atacar os adversários pessoalmente e pela transparência de dizer francamente o que iria fazer na Presidência.
Lula e um novo Contrato social
O ataque ao vice de Lula, José Paulo Bisol, serviu de estopim para a derrocada da campanha. (Bisol foi acusado de manipular verbas do orçamento para beneficiar suas terras. A "denúncia" do Zero Hora, de Porto Alegre, não foi provada e o jornal teve de pagar indenização de R$ 1,191 milhão ao ex-candidato a vice.) Mas o tropeço de Rubens Ricupero, sucessor de FHC no Ministério da Fazenda do governo Itamar, não representou qualquer arranhão à campanha tucana. (Antenas parabólicas captaram uma conversa informal entre Ricupero e o repórter da Rede Globo Carlos Monforte. "Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim, esconde", disse ele.) A "grande imprensa" viu enorme gravidade no primeiro caso e quase nenhuma no segundo.
O país acabou embarcado no bonde de FHC, mas à primeira chance fez a baldeação. E chegamos finalmente a meados de 2005, às portas de mais uma corrida presidencial. Pode-se dizer que o Brasil vai na direção certa, mas numa velocidade errada. Muito lenta. E isso abre espaço para crises como essa em curso. Ou seja: a transição entre a derrotada oposição e a vitoriosa situação precisa ser tratada como assunto de gente grande. Seja como for, a estridência dos conservadores não consegue ocultar um fato: o Brasil está diante de nova possibilidade de retomar um grande projeto de nação. E Lula é hoje a única liderança política que reúne condições para viabilizar um contrato social que nos leve a isso.

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